Legado é manter a cadeira gerando riqueza

Roberto Valtieri
Por Roberto Valtieri 5 Min de leitura

O legado costuma ser confundido com a posse de um bem específico, e os advogados Rodrigo Gonçalves Pimentel e Sideni Soncini Pimentel indicam que a diferença está na capacidade de o patrimônio continuar produzindo. Uma fazenda, um galpão ou uma marca valem pelo que geram, não pelo que representam na história da família. Sentimento não paga imposto nem cobre custo de manutenção.

A troca de geração é o momento em que a distinção aparece com clareza. Ativo parado continua no inventário, paga imposto, exige manutenção e não entrega retorno. Ativo em operação sustenta distribuição, absorve o próprio custo e mantém a estrutura de pé sem depender de aporte dos herdeiros. A escolha entre os dois estados costuma ser tomada por inércia.

A cadeira importa mais do que o objeto

A imagem da cadeira descreve a posição que produz resultado, e não o móvel em si. Uma rede de lojas vale pelo fluxo de clientes, pela equipe treinada e pelo contrato de ponto comercial. Retirado qualquer desses elementos, o que sobra é imóvel com estoque encalhado e despesa fixa. O valor mora no arranjo que faz o negócio funcionar todo dia.

Preservar o legado significa manter esse conjunto funcionando, esclarece Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado especialista em estruturação patrimonial internacional. Quem herda assume a responsabilidade de repor máquina, renovar contrato, atualizar sistema e recontratar gente, tarefas que não aparecem no laudo de avaliação do bem. Manutenção postergada chega ao resultado antes de chegar ao balanço.

O que faz um ativo parar de gerar renda?

A paralisia raramente começa por uma decisão. Ela avança por omissão, quando ninguém reinveste, ninguém acompanha indicador e ninguém responde formalmente pelo desempenho, situação frequente em bens que ficaram em condomínio entre vários herdeiros depois de uma partilha apressada. O bem segue no nome da família e deixa de cumprir função econômica.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

A indivisão agrava o quadro, demonstra o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel. Cada decisão de investimento passa a exigir consenso entre pessoas com necessidades de caixa diferentes, e a falta de regra escrita transforma a manutenção do ativo em negociação permanente entre parentes. Uma reforma simples pode levar meses para sair do papel.

Estrutura é o que sustenta a geração de riqueza

Manter capacidade produtiva depende de desenho jurídico e de governança, evidencia Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado especialista em estruturação patrimonial internacional. Holding que concentra participações, acordo que define distribuição, conselho que cobra resultado e política de reinvestimento cumprem justamente essa função. Cada instrumento resolve um problema específico e pede revisão periódica.

O desenho também define o que acontece na ausência de alguém. Regra de sucessão de cotas, critério de saída e método de avaliação de participação evitam que a morte de um sócio paralise as decisões da atividade e empurre a família para uma disputa judicial demorada. A previsão escrita substitui a improvisação no pior momento possível.

O legado que se mede em geração de caixa

A prova de que o legado sobreviveu está no caixa e não no discurso, pondera Sideni Soncini Pimentel, desembargador aposentado que hoje atua de forma consultiva e estratégica na advocacia. Um bem que não gera receita tende a ser vendido sob pressão, muitas vezes por valor inferior ao que já foi recusado. A urgência de vender costuma ser a consequência final da inatividade.

A conversa entre gerações fica mais simples com esse critério, frisa Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel. Avaliar cada ativo pela renda que entrega, pelo custo que exige e pelo trabalho que consome ajuda a decidir o que manter, o que arrendar e o que converter em capital. A decisão fica técnica e deixa de depender apenas de apego.

Sobre os especialistas

Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado, empresário e sócio do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Sua atuação envolve questões empresariais, patrimoniais, societárias e sucessórias relacionadas a empresários e famílias empresárias.

Sideni Soncini Pimentel é advogado, desembargador aposentado e integrante do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Após uma trajetória de mais de quatro décadas na magistratura, iniciou uma nova fase profissional na advocacia, com atuação consultiva e estratégica.

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